segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A dispensável "leveza" do ser de sentir-se mal...
Melancolicamente dramática.
Não vos digo mal adverbialmente.
Também, não digo mau para não adjetivar a náusea da existência.
Um monstro verde e gosmento; com perebas vermelhas no rosto.
É toda essa ânsia de querer vomitar o que os ouvidos absorvem pela língua.
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Ao meio dia descobri que existem torradeiras que imprimem a cara do Mickey queimado na torrada. Estas, prometem dar o maior ânimo ao comer o Mickey logo cedo.
Pobre Mickey Mouse!
Pobres humanos!
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Hoje é segunda, já penso na sexta.
Ainda restam quatro dias e eu não tenho uma torradeira do Mickey.
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Restam-me as teorias da mesa de bar.
Meus olhos para fechar.
E meu velho tênis sujo para circular a cada andar...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Às vezes, a gente senta para escrever no lugar mais agradável.
Com o melhor som e a melhor paisagem.
E não vem nada.
Então, deixo a caneta de lado, guardo o papel no bolso; encosto na árvore e tiro os sapatos.
O sol aponta para meus pés descalços e os aquecem. Em seguida, me desligo.
Apenas, sinto e ouço:
O canto dos passáros, o barulho que o vento transmite nas folhas e o violão que os garotos ao lado tocam. Um deles toca gaita.
O soprar de sua gaita faz companhia aos passáros;
entra em harmonia com o verde.
E as notas saem passeando pelo céu, sem perder o ritmo se perdem nas nuvens. Acalmam as crianças que choram, os corações partidos e as dores do mundo.
E lá está ela!
Sem rima, sem métricas e do não pensar.
Nasce a poesia.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Férias!!!

Julho:
Garotinha de apartamento com os pais trabalhando.Não havia muitos lugaress para ir nem muito o que se fazer, mas havia a casa da Martha.
A Martha nunca gostou de brincar de boneca, nem nada que a deixasse parada. Então, passavamos a tarde no parquinho, quando não havia ninguém para nos levar, ficavamos no corredor do prédio brincando de pega-pega , esconde-esconde e tocar a campainha e sair correndo.
Houve uma vez que nós, junto com a Marielle achamos um pacote de camisinha (certamente dos pais dela), abrimos a camisinha e colocamos na perna da boneca para servir de meia calça. Achamos aquilo oleoso, mas poderia ser uma bexiga diferente.Por que não?
E tem o meu primo Junior, passavamos muito tempo juntos. Jogavamos videogame, jogos de tabuleiro, Super Trunfo e viamos muito desenho.

Na volta às aulas ,tinha que fazer uma redação à respeito das férias de julho. Como era meio restrito aos alunos que ficavam muito em casa, a professora deixava os alunos inventarem. Em várias delas fui à Vila do Chaves, a casa do Mickey e ao Catelo Ratimbum.
Diferente das férias de janeiro, sempre havia o que falar. Tinha a praia, o velho Noel e as festas de reveillon - muito divertidas, pelo simples motivo de não parar de citar: "o ano que vem"-.
Após à ceia de reveillon, eu e meus primos não paravamos de repetir "o ano que vem". Jantar só o ano que vem, tomar banho só o ano que vem, pentear o cabelos só o ano que vem, trocar de roupa só o ano que vem, etc.
Foi em uma dessas festas que descobrir que Sidra Cereser, não é champanhe.
Mas para vovó sempre foi champanhe.


Recaptulando esta bonita palavra, cujo nome é férias, para às 17:15, 22 de julho de 2008.

Como é bom estar de férias!

O significado do nada é tudo quando se está de férias.
O simples sentar olhar para o teto e obedecer o nada chega a dar orgasmos.
Enquanto o relógio está lá trabalhando sem paciência nos ponteiros, eu fico aqui de papo pro ar.
Estou de férias não tenho dever, não tenho hora e não tenho relógio. E não me importo em ter um.
Rio dos colecionadores de relógio.
Pagar para ver o tempo passar? Não obrigada!
As horas passam sem precisar ver.
O calendário e meus deveres cotidianos fazem isso por si só.
Mas não agora, porque eu estou de férias.
Deixe o relógio lá, trabalhando. Sendo útil as obrigações metropolitanas, e me deixe aqui saudando a gordura trans debaixo das cobertas, deixando os lipídios trabalharem sossegados a favor do meu sedentarismo.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Uma andorinha passa o dia à toa.
A segunda andorinha diz que tem a cantiga mais triste, porque, passou a vida à toa, à toa.

Entre linhas, Manuel Bandeira, quis nos dizer, é que essa segunda andorinha era química.
Hess,Torbern Bergman,Lavoisier e seus fiéis seguidores.
Tenho dó, em pleno século XVIII, no final das trevas do conhecimento humano; preferiam queimar seus neurônios fazendo experiências à toa.
Claro, é um modo ignorante de pensar, pois, muito do que temos hoje devemos a eles. Mas pra mim, basta saber que na natureza nada se cria, tudo se transforma e sigo feliz. Não me interresso em saber as propriedade químicas, nem aqueles nomes mirabolantes.
Sabe, no fundo até os admiro. Para ser químico é preciso ter uma imaginação muito fértil. O que me faz crer que para cada experiência realizada, uma semente da papoila de ópio era retirada dos verdes gramados.

Para piorar, ainda há a soberba matemática embutida na química, aquela matemática chata, com contas longas que nunca dá número inteiro.

Embora, entre matemática e química, fico com a matemática. Posso usá-la em combinações e arranjos para jogar na Loto. Será que está acumulada?
As principais operações: somar, dividir, multiplicar e subtrair; são importantes quando se trata de dinheiro.
Em suma, a matemática para humanóides, é capitalista. Usada com vigor, apenas quando se trata de dinheiro.
De resto, sem precisão. É à-toa.

Prefiro passar uma tarde dando vida à Família Silva Sauro.
Quem disse que eles tem que ser verdes?!? Posso deixá-los azuis,amarelos,lilás e até rosas, ou não, deixá-los da cor do papel e dar um novo tom para camisa do Dino. E dar um tom mais alegre para rabugenta da Zilda.
Como sei que a Charlene gosta de ser moderninha, posso deixá-la com uma franjinha e fazer uma tatuagem no braço dela - porque,se for no rabo,não vai pegar bem- .
O Bobby não está mais enjoado da jaqueta vermelha, graças a mim. A Fran - a devota dona de casa -, da família é a que eu mais admiro (ou tenho dó), por isso caprichei no visual dela, até a presenteei com um chápeu.
E de tão antipático, deixei o rabo do chefe do Dino, rosa com chifres acinzentados e dentes verdes. Quem mandou ser bravo?!?Bem feito pra ele!


Na verdade, à toa sou eu.
Que gosto de escrever coisas assim; á toa, á toa.

Prefiro passar a vida cheia de cores, livros, teatro, cinema e poesia.

Minha cantiga é mais alegre, andorinha!

domingo, 8 de junho de 2008

Percebi que estou mais velha do que pensava
e mais cansada do que esperava.

Bocejos intermináveis.
Olhos molhados de sono.
Uma noite perdida de sono, faz eu me sentir um vegetal radioativo o dia in-tei-ro.


Baladas cheiram a cinzeiro e prejudicam a caixa craneana com o seus intermináveis "putz,putz". Não suporto mais ouvir "putz,putz" ;são tão desumanos.
A homegenidade exala em um lugar escuro e fechado.De costas,todos iguais.Parecem manequis de vitrine de shopping.Colocam sua melhor roupa,gelzinho no cabelo,chapinha e ficam horas se arrumando em frente ao espelho; para depois acabar a noite como uma drag pobre que anda pelas ruas à procura de cola.

Balada alternativa é menos pior.O som é humamo e empolgante.Porém,são muito abafadas e também fedem a cinzeiro. Estão cheias de moderninhos, que só de olhar na cara deles da para saber a ficha completa; não vêem filmes hollywoodianos, só lêem livros e ouvem músicas que ninguém conhece.
Não estou intencionada a generalizar,mas é o que tudo me parece e me é apresentado.
Mas, fico com o som!


Escrevo como uma idosa,
sei quem fui, hoje não sei quem sou.
Tenho idéias abstratas do que me tornei.
Só sei que:
Amo um botequim!!!
Sou devota a ele. Bendito seja quem o inventou!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Putz grilo!
Apolinário e Almerinda se conheceram em uma domingueira.Almerinda,estava toda farceira.Fez o seu primeiro vestido com a máquina de costura que sua mãe ganhou em uma rifa.
O salão estava cheio,ao som da vitrola todos dançavam.Lá estava Almerinda, perto da mesa de ponche conversando com sua patota,do outro lado do salão estava Apolinário, vestindo um paletó azul com grandes ombreiras de espuma.
Os olhares se cruzaram, meio intimidada Almerinda ajeita o cabelo cortado em camadas(estilo "poodle"),e começa a dançar olhando para o pão.
Apolinário comenta com os batutas:
- perdição!Tem o gingado que chacoalha o velho!
Balançando o esqueleto, foi se aproximando da donzela...
-Oi xuxuquita,qual é sua graça? Vamos dar um role na praia pra ver corrida de submarinos?
Almerinda, sabendo que o broto estava tropeçando nas anáguas,aceitou o convite.
Mais tarde ... Casaram-se.

O céu estava estrelado, na lua de mel,de tanto apontar para as estrelas voltaram cheio de espinhas.
Almerinda teve seu primeiro filho chamado Asdrubaldo,mas não pôde amamentá-lo.Ao dar a luz recebeu a visita de sua irmã Ermecinda que menstruada, foi sentar na cama de Almerinda,e o leite secou.Mesmo assim,Asdrubaldo cresceu forte e sapeca.Tinha uma fome de leão que duvide-ou-dó.
Apolinário e Almerinda tiveram mais quatro filhos: Odilha Sebastina,Pedrolina,Gertrudes e Anastácio.
Odilha Sebastina era fogo na roupa,sempre que um dos seus irmãos se sentava com a perna esticada,ela passava por cima.Por causa de Odilha Sebastina seus irmãos não cresceram.
O sonho de Pedrolina era ser alta,como vingança varreu o pé da irmã e Odilha Sebastina não casou.Não havia Santo Antônio que a casa-se!
No mês passado,Gertrudes virou mocinha e não pôde ter seu cabelo lavado por uma semana,para não correr o risco de acordar com o ventre deformado.
Anastácio vive doente porque sempre esquece a porta do guarda-roupa aberta.Mas foi curado da asma tomando um banho gelado a noite e se enrolando em um cobertor bem quente sem roupa.
A família não gostava de chuva,perdiam as estribeiras a cada trovão. Quando chovia jogavam sabonetes no telhado e acendiam folhas de Santa Bárbara para a chuva cessar.
Moravam em uma casa farta.Embora,de várias portas somente uma era aberta,pois,o visitante tinha que sair pela mesma porta que entrou para não levar a riqueza da família.Atrás da porta havia um punhado de sal grosso e uma vassoura para impedir más visitas.

Apolinário,Apolinário.Era pimba na parafuzeta,teimoso que só Jesus de bicicleta.
Apolinário conquistou a terra!
Desistiu de fazer aniversário e foi abotoar o paletó de madeira.
Ontem foi sua missa de sétimo dia, morreu de nó nas tripas por prender os gases.

No dia do enterro, na hora de fechar o caixão, Almerinda,agora,viúva:
-Espere um pouco!
Depois de umas apalpadelas no falecido:
-Pode fechar, está tudo desligado!

E seguiu para casa repetindo: por fora bela viola mas por dentro pão bolorento.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Em um dia de insônia...
Abri uma caixa empoirada de lembranças escassas,substiuídas por impessoais "scraps" e emails.

Achei uma carta,que eu pensava estar extinta do meu cômodo e de mim.Ela estava lá, soterrada no fundo da caixa. Embaixo de cartas de amigos.
Na caixa, cartas recentes e velhas, todas com algo em comum: o desejo que a amizade permanecesse.
Em todas elas, -inclusive a carta soterrada- havia expressões como "pra sempre,"nunca me esquecerei","jamais". Naquela época acreditei. Hoje leio com saudades.
Alguns partiram,outros,continuaram comigo.E há os que comigo ainda convivem, mas já não tem o laço tão estreito.
A culpa não é da inocência. O culpado é o tempo!
Devemos pensar duas vezes antes de dizermos - e, principalmente, escrevermos - algo que envolva a eternidade.
O calor de algumas emoções e momentos não raro nos fazem dizer frases que em breve tornar-se-ão mentiras.
Períodos de mentiras futuras fazem sentido em um contexto, servem apenas para lembrar o quanto valeu a pena o passado no futuro.Vivi isso essa semana.A carta soterrada fez as cores e os sons de um tempo remoto levantarem da cova e me visitar.
Ler uma frase e viver outra realidade. É muito saudoso! Só me faz acreditar cada vez menos nas pessoas...
Não que eu seja pessimista.Acredito na verdadeira amizade.
Sei que as cartas citadas foram escritas com muito amor, e as tenho guardadas até hoje com muito carinho.Quanto a carta que se escondeu por anos, é provável que o lixo nunca a conheça.
O que fica evidente é a real necessidade de se cultivar aquilo ou aqueles que queremos para sempre.
Palavras jogadas em um pedaço de papel há seis anos queriam dizer muita coisa. Hoje, não passam de átomos de grafite descansando sobre um alvo leito.
Nenhuma fogueira, por mais intensa que seja, permanece emanando calor se não for devidamente alimentada.
Os relacionamentos, infelizmente, são muito mais complexos do que um simples fogareiro.
Ao terminar de ler a carta que tanto me chamou atenção,cuja existência estava extinta,voltei a soterrá-la,em uma caixa de difícil acesso.Não no lugar mais fácil de achá-la. Não na prateleira mais visível. Não na gaveta mais alta. No fundo de uma caixa. Não no lugar que merece.


Um dia a vida passa... e nós não vemos!
Um dia alguém cantou que o pra sempre sempre acaba...