sexta-feira, 30 de maio de 2008

Putz grilo!
Apolinário e Almerinda se conheceram em uma domingueira.Almerinda,estava toda farceira.Fez o seu primeiro vestido com a máquina de costura que sua mãe ganhou em uma rifa.
O salão estava cheio,ao som da vitrola todos dançavam.Lá estava Almerinda, perto da mesa de ponche conversando com sua patota,do outro lado do salão estava Apolinário, vestindo um paletó azul com grandes ombreiras de espuma.
Os olhares se cruzaram, meio intimidada Almerinda ajeita o cabelo cortado em camadas(estilo "poodle"),e começa a dançar olhando para o pão.
Apolinário comenta com os batutas:
- perdição!Tem o gingado que chacoalha o velho!
Balançando o esqueleto, foi se aproximando da donzela...
-Oi xuxuquita,qual é sua graça? Vamos dar um role na praia pra ver corrida de submarinos?
Almerinda, sabendo que o broto estava tropeçando nas anáguas,aceitou o convite.
Mais tarde ... Casaram-se.

O céu estava estrelado, na lua de mel,de tanto apontar para as estrelas voltaram cheio de espinhas.
Almerinda teve seu primeiro filho chamado Asdrubaldo,mas não pôde amamentá-lo.Ao dar a luz recebeu a visita de sua irmã Ermecinda que menstruada, foi sentar na cama de Almerinda,e o leite secou.Mesmo assim,Asdrubaldo cresceu forte e sapeca.Tinha uma fome de leão que duvide-ou-dó.
Apolinário e Almerinda tiveram mais quatro filhos: Odilha Sebastina,Pedrolina,Gertrudes e Anastácio.
Odilha Sebastina era fogo na roupa,sempre que um dos seus irmãos se sentava com a perna esticada,ela passava por cima.Por causa de Odilha Sebastina seus irmãos não cresceram.
O sonho de Pedrolina era ser alta,como vingança varreu o pé da irmã e Odilha Sebastina não casou.Não havia Santo Antônio que a casa-se!
No mês passado,Gertrudes virou mocinha e não pôde ter seu cabelo lavado por uma semana,para não correr o risco de acordar com o ventre deformado.
Anastácio vive doente porque sempre esquece a porta do guarda-roupa aberta.Mas foi curado da asma tomando um banho gelado a noite e se enrolando em um cobertor bem quente sem roupa.
A família não gostava de chuva,perdiam as estribeiras a cada trovão. Quando chovia jogavam sabonetes no telhado e acendiam folhas de Santa Bárbara para a chuva cessar.
Moravam em uma casa farta.Embora,de várias portas somente uma era aberta,pois,o visitante tinha que sair pela mesma porta que entrou para não levar a riqueza da família.Atrás da porta havia um punhado de sal grosso e uma vassoura para impedir más visitas.

Apolinário,Apolinário.Era pimba na parafuzeta,teimoso que só Jesus de bicicleta.
Apolinário conquistou a terra!
Desistiu de fazer aniversário e foi abotoar o paletó de madeira.
Ontem foi sua missa de sétimo dia, morreu de nó nas tripas por prender os gases.

No dia do enterro, na hora de fechar o caixão, Almerinda,agora,viúva:
-Espere um pouco!
Depois de umas apalpadelas no falecido:
-Pode fechar, está tudo desligado!

E seguiu para casa repetindo: por fora bela viola mas por dentro pão bolorento.

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